21 de nov de 2009

DIÁLOGO ENTRE TEOLOGIA E BIOÉTICA !



Por: João H. R. Marçal

Quando se fala de um diálogo entre Teologia e Bioética, temos em vista a importância que ambas as ciências dão ao ser humano. Falar em Teologia sem se tratar do ser humano seria o mesmo que falar de algo vazio, pois a Teologia, que se preocupa com o transcendente, se importa com o ser humano. Com a Bioética é a mesma coisa, já que esta também se importa com o ser humano, em uma fase, talvez, mais delicada, ou seja, no momento de sua enfermidade e final de vida, este tem sido o maior discurso e a maior preocupação da Bioética, a pessoa humana como fonte de valor (PESSINI e BARCHIFONTAINE, 2000, p. 69).

Líderes espirituais não podem se isentar desta responsabilidade, ou seja, não devem ficar apenas se preocupando com aqueles que estão vivos e gozam de boa saúde, tem que ter em mente que o ser humano é vida, mas também é morte. Já que todos passam por isso, tem que se dar uma ênfase a este respeito também, por isso a Teologia não pode se isentar desta responsabilidade.

Sem uma sólida base espiritual, as visões de um mundo melhor não podem ser concretizadas. Numa época de grande busca pelo espiritual, as religiões e tradições espirituais do mundo oferecem sabedoria para: ir além de nosso próprio interesse e construir uma comunidade. Acolhedora; reconhecer a interdependência de todos os sistemas que sustentam a vida e optar por formas sustentáveis e saudáveis de viver; ver que as necessidades dos outros questionam nossas vidas e nos colocam na luta por mais justiça e paz; relembrar nosso lugar na família humana e testemunhar nossa compaixão por meio de serviço.

Talvez uma pergunta surja em torno disto tudo: por que a Teologia deve se envolver com temas relacionados à Bioética? Em tudo nossa sociedade tem mudado. Muitos avanços tecnológicos estão surgindo, sendo assim, não se deve deixar nas mãos de poucos as decisões que são pela vida e pelo bem estar da humanidade. A Teologia tem em suas mãos um poder de decisão muito sério e importante. Tudo aquilo que se refere a Deus é respeitado pela grande maioria da população, sendo assim:
Constitui um desafio para a ética contemporânea providenciar um padrão moral comum para a solução das controvérsias provenientes das ciências biomédicas e das altas tecnologias aplicadas à saúde. A Bioética, nova imagem da ética médica, é o estudo sistemático da conduta humana na área das ciências da vida e cuidado da saúde, enquanto esta conduta é examinada à luz dos princípios morais.

Pode-se observar o quanto as tecnologias estão aumentando em favor da humanidade, mas por outro lado temos as decisões a serem tomadas em favor também do ser humano. Quem tem o direito a essas tecnologias? Elas estão disponíveis a todos os que dela necessitam ou é para uma minoria privilegiada? O papel da Teologia é justamente procurar, junto com a Bioética, respostas humanitárias para esses problemas que envolvem o ser humano e a saúde desses menos privilegiados, e como fazer isso? De uma forma ética em que todos possam se envolver, já que a Bioética se tornou um estudo multidisciplinar, e chegar a um consenso onde todos, e não apenas algumas pessoas, possam ter o direito de usufruir daquilo que as ciências e as tecnologias de ponta têm para oferecer, ninguém deve ficar de fora desta discussão.

A dignidade da pessoa humana deve ser preservada em todas as fazes da vida e, quando o indivíduo adoece, nova valoração deve ser elaborada a fim de que se rompam paradigmas e se estabeleçam novos conceitos. Esse papel tem sido desenvolvido pela Bioética, que surgiu da necessidade de apaziguamento de novos conflitos sociais e morais, relacionados ao questionamento de novas atitudes. A Bioética ocupa-se principalmente com a qualidade do atendimento prestado aos enfermos e/ou pacientes terminais e também quanto à humanização dada a essas pessoas.

Surge então novo questionamento: quem se importaria realmente com a salvação da alma? Considerando que nem todos os médicos e/ou bioeticistas são cristãos ou dão ênfase à importância da salvação, quem teria essa responsabilidade?

A Teologia surge com o importante papel de se preocupar não somente com o bem estar físico ou com a dignidade da pessoa humana no processo de morrer, mas também com o bem estar espiritual. Dessa forma, explica-se a necessidade de uma Teologia espiritualizada e também com características humanísticas, contextualizada, envolvendo-se com a Bioética e seus polêmicos temas.

A Bioética, de acordo com o modelo aplicativo da complexidade, tem algumas características que devem ser sempre relembradas. A interdisciplinaridade, o pluralismo, a humildade, a responsabilidade, o senso de humanidade são algumas delas. No processo de tomada de decisão o sistema de crenças de uma pessoa tem papel fundamental. Essas crenças, incluindo-se as religiosas, afetam a sua percepção e leitura do mundo, o conjunto das alternativas disponíveis e seleção da ação que irá ser realizada ou não. Os aspectos religiosos ou espirituais devem estar também incluídos em uma reflexão Bioética, sempre preservando o caráter plural da discussão e não assumindo uma posição sectária. A liberdade do credo é resguardada pela própria Constituição Brasileira, em seu artigo 5°.

Questões como aborto ou eutanásia envolvem o bem estar emocional e espiritual e não há como simplesmente legalizar tais práticas sem observar o que as igrejas pensam a respeito do assunto. Na contemporaneidade, o cotidiano das pessoas não deixa espaço para uma vida espiritual plena e recorre-se a Deus somente em momentos de angústia e desespero, na doença ou perto da morte. Segundo o Reverendo Ricardo Barbosa de Souza, Deus nos chamou para participarmos da eterna comunhão que o Pai, o Filho e o Espírito Santo gozam. Este relacionamento é a razão primeira e última da Teologia.

No diálogo interdisciplinar, a Teologia tem contribuições na reflexão Bioética, principalmente no que diz respeito a uma contextualização da vida. De maneira que, não se pode desvincular a Bioética de uma boa Antropologia Teológica. Pois seu campo de saber está na vida e para além da vida, especificamente quando se busca experienciar e descrever o nascimento, o sofrimento e a morte dos seres.

De tal forma pode-se observar que o teólogo não pode, por um lado, esquecer sua pertença eclesial, nem tampouco, por outro, sujeitar-se à letra de formulações ultrapassadas e incompreensíveis para a mentalidade atual, esquecendo a hierarquia das verdades da fé (JUNGUES, 2006, p. 56).

A Bioética busca a qualidade de vida a partir de uma compreensão do conceito de vulnerabilidade, isto é, mediar conflitos morais visando a proteção do sujeito da pesquisa e ou indivíduos. Nestes termos a Teologia tem um histórico no cuidado com a natureza e o ser humano.

Um comentário:

  1. Olá Joao, obrigado pelo seu comentário.
    Gostei muito do seu blog,estarei lhe acompanhando.
    Um abraço.

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