13 de out de 2010

SUSTENTABILIDADE? O QUE É SUSTENTABILIDADE?


Nunca antes se ouviu falar tanto nessa palavra quanto nos dias atuais: Sustentabilidade. Mas, afinal de contas, o que é sustentabilidade?

Segundo a Wikipédia: “sustentabilidade é um conceito sistêmico; relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana”.

Mas você ainda pode pensar: “E que isso tudo pode significar na prática?”

Podemos dizer “na prática”, que esse conceito de sustentabilidade representa promover a exploração de áreas ou o uso de recursos planetários (naturais ou não) de forma a prejudicar o menos possível o equilíbrio entre o meio ambiente e as comunidades humanas e toda a biosfera que dele dependem para existir. Pode parecer um conceito difícil de ser implementado e, em muitos casos, economicamente inviável. No entanto, não é bem assim. Mesmo nas atividades humanas altamente impactantes no meio ambiente como a mineração; a extração vegetal, a agricultura em larga escala; a fabricação de papel e celulose e todas as outras; a aplicação de práticas sustentáveis nesses empreendimentos; revelou-se economicamente viável e em muitos deles trouxe um fôlego financeiro extra.

Assim, as idéias de projetos empresariais que atendam aos parâmetros de sustentabilidade, começaram a multiplicar-se e a espalhar-se por vários lugares antes degradados do planeta. Muitas comunidades que antes viviam sofrendo com doenças de todo tipo; provocadas por indústrias poluidoras instaladas em suas vizinhanças viram sua qualidade de vida ser gradativamente recuperada e melhorada ao longo do desenvolvimento desses projetos sustentáveis. Da mesma forma, áreas que antes eram consideradas meramente extrativistas e que estavam condenadas ao extermínio por práticas predatórias, hoje tem uma grande chance de se recuperarem após a adoção de projetos de exploração com fundamentos sólidos na sustentabilidade e na viabilidade de uma exploração não predatória dos recursos disponíveis. Da mesma forma, cuidando para que o envolvimento das comunidades viventes nessas regiões seja total e que elas ganhem algo com isso; todos ganham e cuidam para que os projetos atinjam o sucesso esperado.

A exploração e a extração de recursos com mais eficiência e com a garantia da possibilidade de recuperação das áreas degradadas é a chave para que a sustentabilidade seja uma prática exitosa e aplicada com muito mais freqüência aos grandes empreendimentos. Preencher as necessidades humanas de recursos naturais e garantir a continuidade da biodiversidade local; além de manter, ou melhorar, a qualidade de vida das comunidades inclusas na área de extração desses recursos é um desafio permanente que deve ser vencido dia a dia. A seriedade e o acompanhamento das autoridades e entidades ambientais, bem como assegurar instrumentos fiscalizatórios e punitivos eficientes, darão ao conceito de sustentabilidade uma forma e um poder agregador de idéias e formador de opiniões ainda muito maior do que já existe nos dias atuais.

De uma forma simples, podemos afirmar que garantir a sustentabilidade de um projeto ou de uma região determinada; é dar garantias de que mesmo explorada essa área continuará a prover recursos e bem estar econômico e social para as comunidades que nela vivem por muitas e muitas gerações. Mantendo a força vital e a capacidade de regenerar-se mesmo diante da ação contínua e da presença atuante da mão humana.

Extraído.

11 de out de 2010

A bioética e o novo paradigma científico


Artigo assinado pelo professor André Filipe Vieira Pereira da Silva.

Nas mais diversas áreas científicas, seja ela sócio-econômica, humana, natural ou exatas, é cada vez mais constante o debate da trans- e inter-disciplinariedade como fundamental para a percepção e o desenvolvimento de um novo paradigma científico. A crescente consciência da inter-relação entre as mais diferentes perspectivas de conhecimento é o que vem fazendo esse novo paradigma científico ser emergente. Essa discussão está cada vez mais em destaque, não por uns poucos autores e nem vem ocorrendo isoladamente em uma dada escola científica, mas a partir de uma consciência coletiva de toda comunidade acadêmica bem como da sociedade geral. Uma das conseqüências dessa discussão é a própria bioética não só pelo que ela representa mas pelo que pode vir a representar.
Ainda discute-se o que vem mesmo a ser bioética e qual suas implicações com as mais variadas ciências. Talvez o prefixo bio venha prejudicando sua aceitação nas ciências que não o possuem, mas o fato é que, por mais que tenha se tentado simplificá-la, restringindo-a apenas à área das ciências da saúde e biológicas, como e também apenas uma forma de fiscalizar pesquisas envolvendo seres humanos, ela vem consolidando seu caráter holístico como proposto inicialmente por Van Rensselaer Potter (1970) em sua obra pioneira (Bioética: uma porta para o futuro).
A bioética vem contribuindo na reorientação paradigmática da ciência, processo esse que vem ocorrendo a décadas. Entretanto, parece que outras tantas décadas ainda serão necessárias para sua consolidação entre as diversas escolas de pensadores e pesquisadores. A submissão de trabalhos científicos a um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) nos mais diversos centros de pesquisa já é um grande avanço que garante o principialismo bioético (autonomia, não-maleficência, beneficência e justiça). Porém, devemos reconhecer que, mesmo para as pesquisas em saúde e biologia, ainda está em consolidação o sistema CEP-CONEP (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa). Em verdade percebe-se uma alta reatividade em relação à temática em todas as outras áreas do conhecimento. A discussão acerca da submissão das pesquisas envolvendo seres humanos, deve ser imediatamente implementada, incluindo a discussão da obtenção do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Na transição paradigmática a qual estamos presenciando, é tempo de se divulgar a bioética tanto no universo científico das ciências da saúde e biológicas, quanto para a sociedade como um todo.


André Filipe Vieira Pereira da Silva é Biomédico, Professor de Hematologia e de Bioética na Faculdade Maurício de Nassau, Mestre em Patologia pela UFPE