22 de set de 2009

CEIA DO SENHOR, LUGAR DA COMUNHÃO

Até o ato da Ceia do Senhor sofre essa crise. Tem deixado de ser um lugar de comunhão, de fé e esperança para se tornar um ato corriqueiro e, como diz um amigo, “a ceia tem sido um lanchinho na igreja”, e tem perdido seu caráter de corpo e sangue do Senhor.

O alimento de nossa vida espiritual tem sido somente mais um requisito do protocolo religioso. E sobre isso John Wesley adverte: “O simples fato de haver realizado o ato para nada aproveita; que não há poder para salvação senão no Espírito de Deus; não há mérito senão no sangue de Cristo” (BURTNER, Robert W. & CHILES, Robert E. Coletânea da Teologia de João Wesley. Pg. 269).

A Ceia do Senhor não pode ser visto somente como mais um ato religioso, praticado de forma mecânica, pois como afirmou José Carlos de Souza (Ceia do Senhor e Hospitalidade Eucarística, Uma perspectiva Metodista, in Revista Caminho. P 27)

“A Ceia do Senhor está no coração da vida e da missão da igreja [...] Eucaristia relaciona-se com a origem, o sentido e a razão de ser de nossa fé”.

Segundo o cânone Metodista “a Ceia do Senhor não é somente um sinal do amor que os cristãos devem ter uns para com os outros, mas antes é um sacramento da nossa redenção pela morte de Cristo, de sorte que, para quem reta, dignamente e com fé o recebe, o pão que partimos é a participação do corpo de Cristo, como também o cálice de bênção é a participação do sangue de Cristo.” Portanto para nós metodistas, a Ceia não é somente um memorial, mas um sacramento, um meio de graça. Wesley sempre instruía seu povo que não tivesse os elementos como mágicos, pois por si só os elementos nada podem fazer.

Segundo Souza, um dos primeiros sentidos que vêm à mente de quem lê os textos neotestamentários da instituição da Ceia do Senhor, é de que, nessa celebração se realize um memorial (anamnese) dos sofrimentos e da morte de Cristo. Mas como ele bem coloca, anamnese vai muito além da tradução de relembrar, recordar. O ato de a comunidade fazer a anamnese propõe a ela tomar consciência de si mesma como povo de Deus, renovar o compromisso com a manifestação do Reino no tempo presente. Antes de ser uma ação da igreja, a Ceia é ato do Senhor, por meio do qual Ele comunica sua Graça a toda humanidade, Cristo é o verdadeiro celebrante que, na mesa Eucarística vem ao encontro de seu povo e o serve. Trata-se, pois de autêntico sacramento e do principal meio de Graça.

A celebração da Ceia é símbolo de comunhão da comunidade com seu Senhor, e da própria comunidade em si, é onde todos estão reunidos para comungar do pão e do cálice, do corpo e do sangue de Jesus, e com Ele nos fortalecemos para a missio Dei.

A Ceia é uma anamnese da obra salvífica de Cristo. Então, a comunidade celebra e adora em ação de graças, bem como se compromete com a entrega de si mesmo ao serviço de Deus e do próximo. Encontramos a seguinte declaração na Carta Pastoral do Colégio Episcopal sobre a Ceia do Senhor: “Sabemos que os seres humanos constroem muros de separação. Nossa sociedade exclui da mesa ora os pobres, ora os negros, ora as mulheres, ora as crianças. Num contexto de vida onde o alimento se torna motivo de angústia e sofrimento na mesa do povo brasileiro, entendemos ser fundamental que o sentido do repartir o pão seja experiência de partilha e solidariedade”.

Portanto, a prática da Eucaristia vai muito além da simples prática religiosa de se fazer um ato comemorativo. É um ato de amor, paixão e compaixão, de celebração e serviço. A Carta Pastoral nos diz que: “A Ceia do Senhor, além de denunciar as desigualdades e injustiças, propõe à igreja e ao mundo que ambos sejam um grande altar de comunhão, onde buscamos a Deus com nossa fraternidade, amor e justiça”.

Julio de Santa Ana em seu livro Pão, Vinho e Amizade: Meditações, diz que a Santa Ceia “surge como um ato que possui uma grande variedade de sentidos. É comunhão; é lembrança de libertação; é compromisso com o Reino; é expressão de uma comunidade militante; é mistério da presença de Jesus Cristo naqueles que crêem; é motivação para a unidade [...].

Que nesse espírito de amor e compromisso possamos nos unir para celebrar, amar e servir ao Senhor, e com o Senhor, após estarmos saciados de seu corpo e sangue, unidos na mesa da comum-união apresentar o “já e ainda não” do Reino ao mundo.


Edson Elias de Morais, Bacharel em Teologia – FTSA, Londrina, PR.
Estudante de Ciências Sociais - UEL - Londrina, Pr.
edson_londrina@hotmail.com

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2 comentários:

  1. Este é o Edson! Como sempre, manifestando sua indignação! Aliás, neste tempo de "liquidificação", onde tudo fica líquido (Bauman), o que resta para a gente sentir, quando olha para o mundo evangélico (com raras e belas excepções), é isso: indignação!

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  2. o que alimenta o homem é a palavra de JESUS que disse eu sou o pão que desceu do céu e tambem ele disse eu sou a VIDEIRA Voçes as varas o calice que bebemos e devemos aceitar são as provações e tentações como ele disse se possivel afasta de mim este cálice mas ele estava alimentado da palavra (pão)e respondeu seja feita a tua vontade.

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