24 de abr de 2009

Anos 80, o que marcou em sua vida?

Os anos 80 foi marcado por vários acontecimentos, tanto nacionais quanto internacionais. Nos nacionais eu destaco aqui o fim do Regime Militar, em 1984, onde Tancredo Neves foi eleito, indiretamente, Presidente do Brasil, não podendo assumir devido a uma grave doença que o levou à morte, sendo o seu vice José Sarney, este tomou posse e governou de 1985 até 1990, quando também em seu mandato foi cedido aos jovens de 16 e 17 o voto facultativo e em 1989 tivemos a primeira eleição diretas desde o regime militar. Nestas eleições vence Fernando Collor de Melo. O governo foi marcado pela implementação do Plano Collor, pela abertura do mercado nacional às importações e pelo início do Programa Nacional de Desestatização. Mas dai veio também a decepção. Renunciou ao cargo na tentativa de evitar um processo de impeachment fundamentado em acusações de corrupção. Embora tenha renunciado, o processo prosseguiu e Fernando Collor teve seus direitos cassados por oito anos por determinação do Senado Federal.
Nasce, junto com o fim do Regime Militar, que dizimou dezenas de vidas, e não foi uma ditadura branda, como disse há algum tempo a Folha de São Paulo, um movimento que iria, também, revolucinar a cenário musical e cultural brasileiro que foi o Rock Nacional. Bandas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Plebe Rude, Ira e Capital Inicial, puderam "sair da garagem", com letras que mexiam com movimentos sociais ou a contra cultura, conquistaram um público, principalmente jovens, que é fiel até hoje, quem é da época sabe do que eu estou falando. Nos movimentos internacionais o Muro de Berlim foi uma realidade e um símbolo da divisão da Alemanha em duas entidades estatais, a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA). O Muro de Berlim caiu no dia 09 de novembro de 1989, ato inicial da reunificação das duas Alemanhas, que formaram finalmente a República Federal da Alemanha, acabando também a divisão do mundo em dois blocos. Muitos apontam este momento também como o fim da Guerra Fria.
Tantas outras coisas aconteceram nesses anos que gastaria muitas postagens aqui no blog só para falar dos anos 80, década que marcou minha vida, sem sombra de dúvidas.
Mas será que alguém se lembra de um grupo de cantores, todos com fama internacional? Grupo este que se reuniu, não importando o estilo de musica que cantavam eles se uniram com uma finalidade, mostrar ao mundo o que estava acontecendo com o Mundo (e eu estou com os olhos cheios de lágrimas). Um Mundo que estava começando a se apresentar à tão falada na época, globalização. Não se falava em outra coisa, Globalização, e este grupo de cantores queria mostrar que Globalização se faz de mãos dadas, pensando no próximo, pensando no que tem mais necessidade, pensando nos tantos milhares que morrem de fome todos os dias. Um mundo globalizado nos leva a pensar We Are The World (NÓS SOMOS O MUNDO). Mas o que aconteceu? Por que não sentimos mais isso? O que nós fizemos ou o que fizeram a nós que nos tornamos tão frios ao sofrimento alheio? Será que tem como pensar em um mundo melhor? Será que tem como pensar no próximo sem querer esperar algo em troca? Hoje não são somente crianças que sofrem, mas o mundo sofre e se o mundo sofre eu sofro, pois faço parte deste mundo, você sofre, pois faz parte deste mundo. Estou escrevendo isso apenas para refletirmos sobre o que tem acontecido e o que eu e você temos feito para mudar isso.
Finalizo aqui com uma frase de John Donne:
Homem algum é uma ilha completa em si mesma;
todo homem é um fragmento do continente,
uma parte do oceano.
A morte de cada homem me enfraquece
porque sou parte da humanidade,
assim, nunca perguntes por quem o sino dobre,
Ele dobra por ti.

Texto de João Marçal - Especialista em Bioética e Bacharel em Teologia.

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